Outubro 28, 2008
Só falta superar a mim mesmo
Pedro Alfonsin, Sócio colorado
Tenho quase 100 anos e me chamo Sport Club Internacional, mas podem me chamar de Inter.
Durante a minha trajetória sempre fui protagonista onde passei. A história da minha criação não pode ser mais enobrecedora: Nascemos para dar noz ao povo e se contrapor ao racismo.
Desde o início ouvimos coisas pejorativas do gênero “ora bolas, olha a pretensão desses colorados…isto é impossível.” E no momento posterior vinha algo até então nunca visto.
Talvés seja por isso que quando chamam um dos meus filhos de macaco, e outros adjetivos do gênero, olhamos para baixo e mesmo sem saber por que, temos um imenso orgulho, pois nós temos origem e história.
Conheço gente que uma ora é argentino, outra ora é Brasileiro e outra hora é Uruguaio. Tenho certeza que daqui a duzentos anos meus filhos continuarão orgulhosos de terem o estilo colorado de ser, enquanto os outros estarão correndo olhos ansiosos no mapa mundi atrás de uma nova identidade.
Como numa guerra sou a soma de vitórias e derrotas. Meu verdadeiro exercito está atrás do alambrado. No campo tivemos alguns ídolos eternos mas o que ficou e ficará para sempre povo colorado. Alguém pode duvidar de uma torcida que levanta um Gigante em cima de um rio?
Não duvidem dessa torcida. Ela já me viu cair feio em Bragança Paulista, São Caetano Buenos Aires, sempre com público extraordinário em plagas distantes. Tudo isso para ter força o suficiente e saber o verdadeiro sabor de calar oitenta mil no Morumbi numa final de libertadores, ou cantar o jogo todo em Yokohama como se o estádio só tivesse colorado.
Se eu pudesse deixar uma dica aos mais jovens, diria para não esmorecer no primeiro obstáculo. Coisas inacreditáveis podem ocorrer quando vocês é o time do povo, inclusive anularem as suas vitórias como se nunca houvessem existido. Prossiga em frente, conquiste tudo que puder rebaixe quem injustamente lhe fez mal. Não existirá sensação melhor.
Porém, como todos sabem a idade trás seus problemas, que no meu caso são dois.
Primeiramente, tem o desgostoso de ver os entes mais próximos desabarem. De 1991 para cá, vimos, Grêmio duas vezes, Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Fluminense, Galo entre outros que vão e voltam. Alguns inclusive viraram a mesa, o que trás uma instabilidade muito grande as competições.
O segundo é que, quando ao chegar ao cem anos me propus ao maior desafio da historia do próprio clube e obviamente de toda a América. Superar a barreira dos cem mil sócios.
Esses dias ouvi em algum lugar com ar de desdenho… “ora bolas, olha a pretensão desses colorados em quererem ter o maior quadro de sócios da América do Sul com cem mil sócios…isto é impossível.”
Pedro Alfonsin


