Abril 26, 2009
Governantes Britânicos fazem recomendações ao futebol
Fonte: Futebol Finance
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O “All Party Football Group” (APFG), é um organismo Britânico formado em 2003 e constituído por 150 membros da Câmara dos Comuns e Câmara dos Lordes Britânicos. O grupo de deputados de diversos partidos políticos que se reúne habitualmente com a finalidade de fazer recomendações respeitantes à gestão e administração do futebol Inglês, produzindo um relatório anual onde expressa a sua opinião sobre as linhas a seguir pelos responsáveis do jogo em termos de Governance.
A última lista de recomendações do APFG, são abordados muitos dos temas em debate actualmente no futebol mundial e servem para marcar a posição dos governantes Britânicos em relação ao estado do futebol na Premier League e nas restantes divisões. Entre outras, as 2 principais recomendações do APFG foram;
[1] A necessidade de criar regulamentos mais apertados que previnam milionários com Romam Abramovich e Malcolm Glazer de tomarem o controle dos clubes de topo do futebol Inglês. O organismo salienta por exemplo que o Manchester United antes da posse da família Glazer não tinha dívidas e depois da aquisição passou a ter dívidas de mais de 835 milhões de Euros (645 milhões de Euros no caso do Chelsea e da Abramovich), uma vez que a Malcolm Glazer tal como Abramovich contraiu um empréstimo em nome do clube, para pagar o custo da sua aquisição. O grupo de deputados sugere ainda que os empresários interessados em adquirir clubes, sejam sujeitos à apresentação de um plano financeiro, que inclua métodos e intenções de gestão futuros. Salientam também que quem está a pagar estas aquisições são os adeptos através dos aumento dos preços dos bilhetes consecutivos que se têm vindo a verificar.
[2] Apoio a Platini no plano de banir das competições da UEFA, os clubes que tenham dívidas e a necessidade de criar um sistema próprio, idêntico ao sistema de licenciamento da UEFA por forma a fiscalizar as dívidas dos clubes. Esta medida forçará os clubes e os seus dirigentes a serem mais prudentes com a gestão dos clubes e a gastarem apenas o que podem, sob pena de perderem a sua licença.
[3] Apoio a Joseph Blatter na proposta 6+5 e a necessidade da sua implementação no futebol Inglês. Esta regra defendida há longos meses por Blatter obriga os clubes a fazerem alinhar no onze inicial de cada equipa, pelo menos 6 jogadores nascidos no país onde cada Liga se realiza. A proposta de Blatter tem sido contestada pela União Europeia por restringir o movimento livre de trabalhadores nos países da União. No entanto o grupo parlamentar contactou o Secretário de Estado da Cultura Britânico, na intenção de convencer os dirigentes Europeus para a necessidade de criar um excepção para o futebol.
Mais uma vez a organização institucional dos Britânicos salta à vista e como em tantos outros casos, o futebol Inglês é o reflexo da sua organização. Por mais de uma vez em Portugal foi sugerida a intervenção do Estado/Governo no futebol, por forma a criar regulamentos de administração e gestão que protejam e fomentem o jogo, desportiva e financeiramente.
Uma vez que os governantes Portugueses têm ao longo dos anos abandonado o futebol nacional, aqui fica a sugestão para terem um papel mais interventivo, através da criação de um grupo de trabalho composto por deputados de todos os partidos representados na Assembleia da Republica, que possam regularmente e fazer recomendações sobre a administração e gestão do futebol nacional. O mesmo se aplica à União Europeia e os seus dirigentes que parecem não entender que o futebol é uma das maiores indústrias do planeta e necessita de regulamentação excepcional.




